Segunda-feira, 30 de Abril de 2007
O Senhor Táxista

Ontem apanhei um táxi o que é raro e caro na capital deste país.

Depois de entrar e dizer o local que queria ir o mais depressa possível, olho para o homem e deu-me logo vontade de rir.

Bem o homem era um pintas mas dos mais típicos desta cidade.

Camisinha aberta até ao umbigo bem avantajado e a pelugem a sair dela espetando o cordão de ouro como não podia deixar de ser. Nem queria acreditar que ainda havia destas aves raras.

O bigode bem farfalhudo e o seu sotaque Nortenho dava-lhe o toque delicioso.

Olhando para mim e com um sorriso começou logo a falar do último jogo da semana, assunto que eu bem dispensava porque é que todos os homens gostam tanto de falar de bola? Pensei logo se me estava a tornar mulher, odeio falar de futebol!

A conversa era muito agitada da parte dele com uns coxos, paneleiros, chulos, e miseráveis pelo meio eu limitava-me a uns um, umm, ha , pois pois mais parecia uma conversa entre um Português e um Mongol.

A dado momento e com uma travagem brusca só oiço: “seu filha da puta tira essa merda daí que eu quero passar” bem nem queria acreditar no que ouvia, eu corei até às orelhas, não é que eu não seja homem e mande algumas bojardas, mas tenham dó de mim era demais.

Mais meia dúzia de palavrões e seguimos viagem. A dada altura olho discretamente para a identificação do Senhor mesmo por baixo de um cãozinho daqueles que abanam a cabeça e leio: Joaquim Manel Figueiredo, profissional da Antral, sim senhor que grande profissional, pensei eu.

Mais uma mudança metida é quando eu vejo ele a ajeitar o anel à mafioso no seu dedo mindinho, em que se podia ler as iniciais JF e a unha bem grande, é mesmo nesse momento que vejo ele a palitar os dentes com ela e seguidamente a tirar a cera do ouvido que mais dava para encerar todo o chão da minha sala de jantar. Ainda por cima soltava-a para o banco do lado num golpe já tecnicamente apurado, o que vale é que eu ia no banco de trás. Parámos onde eu queria finalmente e despedi-me com uma simples frase: “Tenha uma boa tarde para o senhor porque eu já tive a minha.”

É assim os pintas de Portugal.

Ass: Felino


sinto-me:

publicado por FELINO às 07:54
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